Por Alex Blau Blau
Defesa afirma que acusado reconheceu uma das condutas investigadas e nega envolvimento nos demais óbitos apurados pela Justiça
Um dos técnicos de enfermagem acusados de participação nas mortes de pacientes internados em uma unidade de terapia intensiva no Distrito Federal admitiu ter praticado atos relacionados a um dos casos investigados. A informação foi apresentada pela defesa durante a fase de instrução do processo que apura as circunstâncias das mortes registradas na unidade hospitalar.
De acordo com o advogado do acusado, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo reconheceu sua atuação em relação à morte da paciente Miranilde Pereira da Silva. Segundo a defesa, o réu colaborou com as investigações desde os primeiros depoimentos prestados às autoridades e posteriormente confirmou a prática da conduta atribuída a ele nesse episódio específico.
Ainda conforme a versão apresentada pelos representantes do técnico de enfermagem, não haveria motivação definida para a ação confessada. A defesa sustenta que o episódio ocorreu de forma isolada e rejeita qualquer hipótese de atuação conjunta com outros envolvidos.
Os advogados também questionam aspectos da investigação relacionados aos demais óbitos analisados no processo. Segundo eles, determinadas condições clínicas dos pacientes não teriam recebido a devida consideração durante a apuração dos fatos. A argumentação busca afastar a responsabilidade do acusado em relação às outras mortes que integram a denúncia apresentada pelo Ministério Público.
O caso é acompanhado pela Justiça desde o início do ano e envolve três profissionais da área de enfermagem. Os acusados respondem por homicídio doloso, quando existe a intenção de matar, além de outras acusações ligadas a tentativas de homicídio apontadas durante a investigação.
Durante a audiência mais recente, os réus foram ouvidos perante o Tribunal do Júri. O procedimento integra a primeira etapa do processo criminal e tem como finalidade reunir provas, ouvir testemunhas e permitir os interrogatórios necessários para que o magistrado decida se os acusados serão submetidos a julgamento popular.
Enquanto Marcos Vinícius respondeu apenas aos questionamentos formulados por sua defesa, as demais acusadas prestaram esclarecimentos aos representantes da acusação, do Ministério Público e do Judiciário. Ambas negaram participação nos crimes investigados e sustentaram inocência.
As investigações tiveram início após a própria instituição hospitalar comunicar às autoridades a existência de circunstâncias consideradas incomuns em uma sequência de mortes registradas na unidade de terapia intensiva. A partir das apurações, surgiram suspeitas de que substâncias teriam sido administradas de forma irregular em pacientes internados.
As vítimas identificadas no processo incluem um servidor dos Correios, um funcionário público aposentando e uma professora. O caso provocou forte repercussão no Distrito Federal e segue sob análise da Justiça, que deverá decidir os próximos passos da ação penal após a conclusão da fase de instrução.





