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Inclusão de PCC e CV como terroristas pelos EUA divide opiniões em Minas Gerais


Da redação

Os Estados Unidos incluíram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas, ação que provocou intenso debate político em Minas Gerais desde segunda-feira (8/6). O governador Mateus Simões (PSD) celebrou a decisão como estratégica, enquanto especialistas divergem sobre seus impactos para o Brasil.

Durante a abertura dos 251 anos da Polícia Militar de Minas Gerais, Simões comentou a prisão de 50 pessoas na Operação Cerco Fechado, que atua em Belo Horizonte e demais cidades do estado. Segundo ele, a iniciativa mostra avanço do Estado sobre áreas controladas por facções, destacando que novas etapas preveem não só repressão, mas apoio social às comunidades.

Simões afirmou: “As facções estão começando a tentar movimentar seus estoques de armas e drogas. Minha recomendação ao criminoso quando é pego é exatamente essa: entregue-se”. Ele também elogiou o reconhecimento internacional das facções como terroristas, sugerindo que bloqueios financeiros globais agora seriam possíveis graças à cooperação com os Estados Unidos.

Durante coletiva de imprensa, Simões criticou o Supremo Tribunal Federal, especialmente a decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre uso policial de relatórios do Coaf. Segundo o governador, “É uma pena que a gente não esteja conseguindo fazer o nosso trabalho aqui”, defendendo que medidas externas compensariam limitações do Judiciário brasileiro.

Por outro lado, Luiz Flávio Sapori, professor da PUC Minas, qualificou a decisão dos Estados Unidos como “proposital, injustificável, desnecessária, inútil”. Segundo ele, PCC e CV não têm perfil ideológico e não operam o tráfico de drogas direcionado aos EUA. Sapori também alertou para riscos à soberania do Brasil e possíveis impactos negativos na cooperação internacional.

A Operação Cerco Fechado, segundo Simões, foi planejada pela inteligência policial em 26 territórios com o objetivo de promover o sufocamento financeiro das facções, sem confrontos armados ou mortes registradas. O debate sobre a melhor estratégia contra o crime organizado reflete a polarização política, envolvendo segurança, soberania nacional e relações internacionais.