Início Mundo Escalada de tarifas é principal risco para relação Brasil-EUA, diz JPMorgan

Escalada de tarifas é principal risco para relação Brasil-EUA, diz JPMorgan


Da redação

A economista-chefe do JPMorgan para o Brasil, Cassiana Fernandez, afirmou nesta terça-feira, 9, em São Paulo, que o principal risco na relação entre Brasil e Estados Unidos atualmente seria uma possível retaliação brasileira às recentes tarifas comerciais impostas pelo governo americano. Segundo ela, o Brasil deve priorizar negociações para evitar novos impostos de importação.

Fernandez participou do Seminário Econômico Brasil-EUA, promovido pelo Lide, com a presença de economistas, ex-ministros e do Cônsul-Geral dos EUA, Kevin Murakami. De acordo com a economista, a imposição de tarifas adicionais pode pressionar ainda mais a inflação doméstica, já afetada por um cenário econômico deteriorado.

Ela explicou que, atualmente, a tarifa média ponderada dos Estados Unidos ao Brasil é de aproximadamente 11%. Caso as novas tarifas de 25%, anunciadas pelo governo americano, sejam implementadas, essa média pode subir para 19%, impactando setores específicos das cadeias produtivas brasileiras.

“A grande verdade é que hoje essas exportações são pequenas, e acabam não tendo um impacto muito relevante. Se a tarifa for de 10%, 25% ou 50%, vai ter impacto em cadeias específicas. O maior risco que vemos hoje é o da escalada e retaliações nessas tarifas”, afirmou Cassiana Fernandez.

Para a economista, existe uma assimetria no momento, pois enquanto crescem as pressões tarifárias, o fluxo de Investimento Estrangeiro Direto (IDP) dos Estados Unidos no Brasil permanece expressivo. “É o investimento estrangeiro direto vindo dos Estados Unidos que sustenta uma boa parte da nossa capacidade produtiva e empregos qualificados. A agenda Brasil-Estados Unidos deve se focar em proteger o ambiente de investimento direto”, destacou.

O IDP total recebido pelo Brasil neste ano deve corresponder a 3,3% do Produto Interno Bruto, sendo cerca de 19% desse montante originados dos Estados Unidos, valor superior ao da China, que representa entre 7% e 8% conforme estimativas do JPMorgan. A economista ressaltou a importância de uma agenda regulatória confiável e previsibilidade macroeconômica para atrair investimentos.