Da redação
A Corte de Cassação da Itália anulou no dia 22 de maio a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), alegando possível parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no julgamento que resultou em sua condenação. A decisão ocorreu após questionamentos sobre o papel desempenhado pelo ministro no processo.
Segundo a Justiça italiana, Moraes teria atuado como julgador e simultaneamente como pessoa afetada pelo crime atribuído a Zambelli, situação que levantou dúvidas quanto à sua imparcialidade. O tribunal apontou “múltiplos elementos capazes de fazer duvidar da imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do Tribunal que proferiu a condenação”.
Zambelli foi condenada por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça e porte ilegal de arma nas eleições de 2022. As investigações também relacionam seu nome ao caso do hacker Walter Delgatti Neto, que inseriu um mandado falso de prisão contra Moraes no sistema do CNJ. O documento dizia: “Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes”.
De acordo com o acórdão italiano, Moraes acumulou funções judiciais consideradas atípicas ao atuar como relator, decidir sobre sua própria suspeição, participar da condenação e expedir o pedido de extradição. Para o tribunal, houve “acúmulo atípico de funções judiciais” durante todo o processo envolvendo a ex-deputada.
Após a decisão de anulação da extradição, Zambelli foi solta e se manifestou em vídeo nas redes sociais, ao lado do marido, Coronel Aginaldo, e do advogado Pieremilio Sammarco. “Hoje é dia 22 de maio de 2026, dia de Santa Rita, nome da minha mãe e da pessoa que era minha companheira de cela”, afirmou.
O caso agora aguarda manifestação do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que tem um prazo de 45 dias para decidir sobre a extradição. Antes da decisão da Corte de Cassação, Zambelli havia tido a extradição autorizada nas instâncias inferiores e seu mandato foi cassado pela Justiça Eleitoral de São Paulo em 2025.





