Início Política Inflação e riscos climáticos pressionam Banco Central a encerrar cortes de juros

Inflação e riscos climáticos pressionam Banco Central a encerrar cortes de juros


Da redação

O Banco Central iniciou nesta terça-feira, 16, a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em Brasília, em meio à alta da inflação, expectativas desancoradas até 2028 e riscos climáticos que podem elevar os preços dos alimentos, produtos e serviços. O cenário pressiona o colegiado a decidir sobre o fim do ciclo de cortes de juros.

Dados mais recentes indicam deterioração adicional do quadro inflacionário em comparação com a última reunião do Copom. Segundo especialistas, apesar da recente queda nos preços do petróleo e do acordo preliminar entre Irã e Estados Unidos, choques globais de oferta persistem e continuam impactando a economia brasileira.

Outro fator apontado é a reaceleração da atividade econômica doméstica, favorecida por medidas de estímulo. Além disso, conforme análise técnica, o real deixou de se valorizar frente ao dólar, o que pode contribuir para o aumento dos preços internos, elevando ainda mais o desafio no combate à inflação.

O economista-chefe da XP, Caio Megale, destaca que, diante deste contexto, as projeções de inflação do Copom tendem a se afastar da meta, podendo passar de 3,5% para 3,6%. “Nosso cenário contempla duas reduções adicionais de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,00%”, apontou o economista.

Megale ressalta, no entanto, que diante dos desafios identificados, o Copom pode encerrar o ciclo de cortes de juros após a redução prevista para esta semana. O economista observa que a retomada dos cortes no próximo ano dependerá do avanço de reformas fiscais que tragam maior sustentabilidade às contas públicas.

Atualmente, a taxa Selic se encontra em 14,5% ao ano. O Copom avalia dados do mercado e considera riscos climáticos, choques de oferta e o comportamento cambial no processo decisório, que influencia diretamente crédito, consumo e investimentos no país.