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MCTI dobra número de escolas no Programa Mais Ciência na Escola em Santa Catarina


Da redação

Pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia divulgaram nesta quarta-feira (17) um estudo nacional sobre mortalidade e morbidade associadas às ondas de calor no Brasil, abrangendo dados de 2000 a 2019 em 5.566 municípios, para orientar políticas públicas diante do aquecimento global e da intensificação desses eventos.

O levantamento, coordenado pelas equipes dos projetos Ciência&Clima e ProAdapta, revela que o calor extremo é uma ameaça crescente à saúde pública no país. O supervisor do projeto, Sávio Raeder, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, declarou que a iniciativa integra conhecimento científico “para apoiar a tomada de decisão no enfrentamento do calor extremo”.

Segundo a pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz, o estudo inovou ao integrar, de forma nacional, a caracterização das ondas de calor com análises detalhadas dos impactos em hospitalizações e mortes, mostrando aumento do risco especialmente entre idosos, mulheres e pessoas com menor escolaridade, evidenciando um gradiente social nesses efeitos.

Ao todo, o estudo estimou cerca de 120 mil óbitos atribuíveis ao calor extremo no período analisado, sendo mais de 97 mil entre pessoas com 65 anos ou mais, o equivalente a 80% do total. Causas cardiovasculares e respiratórias lideraram entre os desfechos mais frequentes. A distribuição dos riscos variou conforme a região, intensidade e duração das ondas de calor.

A análise mostrou elevação do risco de internações por doenças respiratórias, geniturinárias e gastroenterites, especialmente em crianças e idosos. Os dados sugerem maior vulnerabilidade de indivíduos com crônicas ou dificuldade de termorregulação. O estudo indica a necessidade de adaptar e proteger populações mais sensíveis diante do aumento desses eventos.

O levantamento adotou critérios de calor extremo com temperatura acima do percentil 95 por ao menos dois dias consecutivos, com análise espacial e temporal das ondas de calor, riscos para diferentes grupos e desfechos clínicos. Os resultados reforçam a necessidade de sistemas de monitoramento, alertas antecipados e integração de informações climáticas à vigilância epidemiológica e ambiental.