Início Mundo Especialista diz que reforma em Cuba visa contornar bloqueio dos Estados Unidos

Especialista diz que reforma em Cuba visa contornar bloqueio dos Estados Unidos


Da redação

A Assembleia Nacional de Cuba debate, nesta quinta-feira (18), uma reforma econômica e do Estado que visa aliviar a crise no país e enfrentar o bloqueio dos Estados Unidos, segundo especialistas no tema. O objetivo é flexibilizar investimentos estrangeiros e importações, mantendo o compromisso de promover justiça social e reduzir desigualdades.

O professor Maicon Cláudio da Silva, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, avalia que as medidas buscam dar “algum tipo de respiro à economia cubana”, especialmente num cenário em que turismo e exportação de serviços médicos, principais fontes de divisas, foram afetados. Ele destaca que trata-se de uma continuidade de flexibilizações iniciadas em anos anteriores.

De acordo com Maicon da Silva, o bloqueio americano vai além das relações bilaterais e atinge o comércio entre Cuba e diversos países. Navios e empresas que negociam com Cuba enfrentam restrições, afetando a chegada de produtos e investimentos estrangeiros. Empresas dos setores aéreo, hoteleiro e cartões de crédito também deixaram a ilha recentemente.

O bloqueio foi endurecido pelo governo dos EUA ao final de 2025, com restrições navais e ameaças de sanções a fornecedores de petróleo, provocando carência do combustível na ilha por três meses. Setores como turismo, mineração de ouro e a estatal do petróleo sofreram novas sanções nas últimas semanas, agravando a crise energética e de produtos básicos.

A reforma em debate prevê mais de 20 medidas, incluindo incentivos ao investimento estrangeiro direto, ampliação da autonomia empresarial, descentralização política e mudanças no sistema de subsídios. Entre as ações, destaca-se a intenção de fortalecer a participação de acionistas e promover ajustes em setores como turismo e mercado imobiliário.

Segundo Maicon da Silva, a reforma não aproxima Cuba do capitalismo, pois o bloqueio inviabiliza a formação de uma burguesia nacional. O professor aponta diferenças em relação à trajetória chinesa e ressalta que a dependência externa e as sanções limitam o alcance das mudanças pretendidas pelo governo cubano.