Da redação
O senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado e figura central no PT, é alvo de ação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (18). O episódio repercute no partido e no núcleo próximo ao presidente Lula, devido à influência de Wagner e à sua longa relação com o chefe do Executivo.
A atual configuração do PT traz dirigentes com atuação político-partidária próxima de Lula, além de uma velha guarda menos influente, mas ainda leal ao presidente. Wagner se destaca por transitar entre esses dois grupos, mantendo laços de confiança com Lula ao longo de décadas e influência expressiva no partido.
Mesmo a proximidade com Marisa Letícia, ex-primeira-dama falecida em 2017, não afastou Wagner de Lula, ao contrário de outros nomes ligados a ela que perderam espaço após a chegada de Janja. O senador mantém posição de liderança por conta da confiança que o presidente lhe deposita e por sua trajetória no partido.
Durante a eleição de 2018, Lula considerou lançá-lo candidato presidencial, mas Wagner preferiu indicar Fernando Haddad. Em 2006, ao candidatar-se ao governo da Bahia, Wagner contrariou o próprio Lula, que não acreditava em sua vitória contra Antonio Carlos Magalhães. Venceu e consolidou a hegemonia eleitoral petista no estado.
Há 20 anos, o PT governa a Bahia, e Wagner segue como referência regional e partidária, apesar da presença de Rui Costa. Conforme apurado, o senador e Lula compartilham origens no sindicalismo e pertencem à mesma geração, o que fortalece a aliança política. Wagner já discordou publicamente de posições oficiais, irritando lideranças como Gleisi Hoffmann.
Após a ação da Polícia Federal, aliados de Flávio Bolsonaro buscaram explorar politicamente o caso, enquanto surgiram críticas internas no PT, que apontaram possível quebra de confiança em Wagner. O cenário coloca à prova o respaldo de Lula ao senador, cuja sobrevivência política se apoia essencialmente na relação pessoal com o presidente.





