Da redação
Levantamento realizado entre 11 e 15 de junho pelo Instituto Opinião Inteligência Política apontou que 81,2% dos moradores do Distrito Federal desejam eleger diretamente os administradores das 35 regiões administrativas. A pesquisa presencial ouviu 1.095 pessoas em toda a capital federal, sendo registrada no TSE sob o número RASC-SD0994.
Atualmente, o governador do Distrito Federal escolhe os administradores regionais, sem participação dos moradores no processo. Segundo o cientista político Rócio Barreto, da Universidade de Brasília, “há atualmente a sensação de pouca representatividade”, pois parte dos gestores não reside nas regiões que administram, o que pode gerar distanciamento da comunidade.
O especialista sugere que um modelo alternativo poderia prever que a população indicasse nomes para o governador escolher, promovendo participação mais ampla e transparência. Já o advogado Jonatas Moreth lembra que uma tentativa da Câmara Legislativa do DF de aprovar eleições diretas em 2019 foi considerada inconstitucional pelo TJDFT, pois a iniciativa deveria ser do Executivo.
Moreth avalia que a simples eleição dos administradores não soluciona as limitações estruturais das administrações regionais, que ainda dependem do governador para recursos e autonomia. Segundo ele, “se a alteração se limitar apenas ao processo de escolha do administrador, ele terá pouco poder e autonomia, continuando dependente da boa relação com o governador”.
A advogada Tatielle Carrijo Belarmino destaca que o modelo exige compatibilização constitucional, além de regras claras para candidaturas, financiamento e atribuições dos administradores. Ela aponta riscos de fragmentação das políticas públicas, porém reconhece ganhos em legitimidade, participação e fiscalização popular.
O levantamento revelou que 8% dos entrevistados rejeitam a eleição direta, 7,9% se declararam neutros e 2,8% não souberam ou não quiseram responder. Especialistas concordam que eventual mudança interferiria na dinâmica política local e exigiria adaptações legais e estruturais significativas no Distrito Federal.





