Da redação
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, adiou sua viagem à Suíça, prevista para esta sexta-feira, onde se reuniria com representantes do Irã para discutir a implementação do acordo que visa encerrar a guerra. O adiamento ocorreu devido a problemas logísticos, segundo comunicado da Casa Branca divulgado na noite de quinta-feira, 18.
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira que aprovou com ressalvas o pacto assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto Washington suspendeu o bloqueio naval aos portos iranianos. A assinatura do documento, realizada entre Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, deu início a 60 dias de negociações sobre temas amplos, incluindo o programa nuclear do Irã.
Com a suspensão do bloqueio naval anunciada pelas forças americanas, a circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz permanece reduzida. Rastreamento marítimo apontou a saída de três navios sauditas e um francês da região, durante o processo de transição após o acordo. Navios de guerra americanos, no entanto, continuam presentes nas proximidades.
A Casa Branca reconheceu as dificuldades logísticas das negociações. Um porta-voz declarou: “A logística dessas negociações nunca foi simples nem previsível. Por ora, o vice-presidente não partirá esta noite. Esperamos iniciar as conversações técnicas o quanto antes”. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que qualquer descumprimento do acordo provocará “resposta contundente ao inimigo”.
O acordo-quadro alcançado prevê um mecanismo para gerenciar as reservas de urânio iranianas com supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, além da promessa dos EUA de facilitar a liberação de US$ 300 bilhões para reconstrução, caso haja consenso sobre o programa nuclear. O Irã, porém, excluiu o seu programa de mísseis das negociações.
No Irã, persistem dúvidas sobre a durabilidade da paz e, nos EUA, aliados criticaram a decisão de Trump. O presidente norte-americano defendeu o pacto dizendo que insistir no confronto não reabriria o Estreito de Ormuz. Pezeshkian considerou o acordo “histórico”, enquanto vozes de oposição dos dois lados manifestaram ceticismo quanto ao futuro. Mojtaba Khamenei assumiu o cargo de líder supremo após a morte de Ali Khamenei em um ataque aéreo em 28 de fevereiro, início do conflito.





