Por Alex Blau Blau
Migrantes afirmam que foram enganados por atravessadores e só descobriram ao chegar ao país que poderiam solicitar refúgio gratuitamente
A crise econômica enfrentada por Cuba tem levado um número crescente de cidadãos a buscar proteção e oportunidades no Brasil. No entanto, para muitos deles, a viagem é marcada por sofrimento, exploração financeira e graves violações humanitárias antes mesmo da chegada ao território brasileiro.
Relatos de migrantes apontam que atravessadores especializados em imigração irregular se aproveitam da falta de informação para convencer os cubanos de que não existe uma forma legal de ingressar no Brasil. Com isso, milhares de dólares são cobrados por uma travessia repleta de riscos, abandono e incertezas.
Muitos afirmam que enfrentaram dias sem alimentação adequada, caminhadas de dezenas de quilômetros, longos períodos com pouca água e separação de familiares durante o percurso. Alguns contam que foram deixados à própria sorte em estradas após motoristas abandonarem os grupos para evitar abordagens policiais.
Entre os relatos está o de um pai de família que descreveu a viagem como a pior experiência de sua vida. Durante o trajeto, ele foi separado do filho, que necessita de cuidados médicos constantes, situação que transformou a travessia em momentos de desespero e angústia.
Outro migrante afirmou que caminhou por vários quilômetros depois de ser abandonado pelos responsáveis pela viagem logo após cruzar a fronteira. Somente ao chegar ao Brasil descobriu que poderia solicitar refúgio diretamente às autoridades brasileiras, sem qualquer custo e sem depender de organizações criminosas.
Segundo os próprios cubanos, o desconhecimento da legislação brasileira alimenta um esquema lucrativo de exploração. Os atravessadores cobram valores muito superiores aos praticados normalmente pelo transporte na região e oferecem pacotes que podem chegar a dezenas de milhares de reais, obrigando muitas famílias a vender praticamente todo o patrimônio acumulado ao longo da vida.
A principal rota utilizada passa pela Guiana. Os migrantes viajam de avião até aquele país e, posteriormente, seguem por terra e por embarcações improvisadas até alcançarem a fronteira brasileira em Roraima.
Durante operações recentes de fiscalização, forças de segurança resgataram centenas de cubanos que viajavam em condições precárias. Muitos apresentavam sinais de desidratação, desnutrição, exaustão física e abalo emocional após dias de deslocamento.
Apesar dos perigos enfrentados, os relatos convergem para um mesmo motivo da migração. Os cubanos descrevem dificuldades extremas para conseguir alimentos, combustível, energia elétrica e condições mínimas de sobrevivência em seu país de origem. Há quem afirme que o salário mensal sequer é suficiente para custear itens básicos, tornando a saída do país a única alternativa para reconstruir a própria vida.
As autoridades brasileiras reforçam que pessoas em situação de vulnerabilidade podem solicitar refúgio de forma gratuita junto à Polícia Federal, sem necessidade de recorrer a intermediários. A orientação é que os migrantes busquem os canais oficiais, reduzindo o risco de cair nas mãos de organizações criminosas que lucram com o desespero de quem tenta recomeçar.





