Início Brasil SSP-SP conclui que PM seguiu protocolo ao entrar armado em escola municipal

SSP-SP conclui que PM seguiu protocolo ao entrar armado em escola municipal


Da redação

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo concluiu que policiais militares seguiram o protocolo ao entrarem armados na Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Bento, na capital paulista, após serem acionados por um pai que questionava um desenho feito pela filha sobre o orixá Iansã. O caso levou quatro policiais, um deles portando fuzil, até a unidade, onde permaneceram por mais de uma hora.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a ação resultou de um chamado por desentendimento no ambiente escolar, e o armamento foi mantido em posição segura, preso à correia junto ao corpo, conforme procedimentos internos. O órgão informou ainda que policiais militares recebem treinamento para casos de intolerância religiosa ou conflitos similares. O pai da criança, soldado da corporação, alegou que a escola estaria obrigando a filha a participar de aula de religião africana. No dia anterior, ele já havia ido ao local expressar contrariedade e retirou o desenho do mural.

A diretora Aline Aparecida Nogueira afirmou que a escola não adota doutrina religiosa, pautando o projeto pedagógico por currículo antirracista. Segundo a diretora, ela foi coagida e interpelada pelos policiais durante aproximadamente vinte minutos. Para Beatriz Cortez, diretora-executiva do Cempec, a presença armada da Polícia Militar foi inadequada numa discussão pedagógica. Segundo Cortez, a legislação nacional respalda a abordagem curricular da escola, e estudar elementos das culturas africana e indígena faz parte das diretrizes legais.

O advogado Paulo Peixoto, especialista em direito público, avaliou que a intervenção dos policiais ultrapassou o permitido, pois não havia emergência ou flagrante de crime. Peixoto afirmou que situações como essa devem ser resolvidas no ambiente escolar e que o episódio não caracteriza prática criminal.