Da redação
A Polícia Federal indiciou Mauro Sousa, diretor-geral da Agência Nacional de Mineração, sob suspeita de integrar uma associação criminosa voltada à exploração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais. Segundo a investigação, Sousa teria se utilizado da função pública para atender interesses privados da Empabra Green Metals, empresa investigada por lavra irregular e infrações ambientais.
Outras 50 pessoas foram indiciadas em dois inquéritos no âmbito das operações Rejeito e Parcours, incluindo Caio Trivelatto, diretor da Agência Nacional de Mineração; Pablo César de Sousa, ex-assessor do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG); e o empresário Lucas Kallas. Sousa afirmou que só irá se pronunciar após ter acesso ao relatório completo da investigação.
De acordo com a Polícia Federal, o uso de planos de recuperação ambiental e de fechamento de mina funcionava como fachada para ocultar a exploração irregular do minério, como identificado na Mina Granja Corumi, em Belo Horizonte. Mensagens interceptadas e registros de 61 telefonemas entre 2023 e 2025 indicam “relação próxima, frequente e informal” entre Mauro Sousa e representantes da empresa investigada. O relatório aponta que Sousa também teria adiantado informações internas da agência aos empresários.
Os investigadores afirmam que os indiciados pretendiam obter lucro de até R$ 2,3 bilhões com a extração ilegal da Serra do Curral. Kallas geriu a extração entre 2014 e 2018 e, segundo a Polícia Federal, teria praticado lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência. O relatório menciona ainda que Trivelatto teria influenciado normas internas para favorecer mineradores investigados.





