Início Mundo Onda de calor na Europa registra recordes de temperatura e agrava crise...

Onda de calor na Europa registra recordes de temperatura e agrava crise climática


Da redação

A primeira onda de calor do verão europeu registrou temperaturas inéditas em países como Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Polônia, Dinamarca, Lituânia, Letônia e Suécia, superando em mais de dois graus a média histórica por pelo menos três dias, segundo a revista científica Nature. Especialistas afirmam que a intensidade surpreendeu autoridades, população e comunidade científica, expondo a falta de preparo urbano e de legislação trabalhista adequada para enfrentar eventos extremos.

O professor Vasco Mantas, diretor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, explica que a principal causa identificada foi um bloqueio atmosférico do tipo Omega Block, que manteve uma área de alta pressão estacionada sobre a Europa Ocidental. De acordo com Mantas, o padrão desviou sistemas meteorológicos e transportou ar quente do Norte da África, intensificando a onda de calor. O fenômeno, segundo ele, já ocorreu outros anos, mas neste caso apresentou início precoce e temperaturas entre cinco e 12 graus acima das médias sazonais.

As consequências do evento incluem sobrecarga nos sistemas de saúde, risco elevado para idosos, crianças, pessoas em situação de rua e portadores de doenças cardiovasculares. O pesquisador Lincoln Alves, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, alerta que a infraestrutura europeia não está preparada para altas temperaturas, já que muitos edifícios foram projetados para o frio, dificultando a recuperação da população durante noites quentes. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a onda de calor afetou todo o sul da Europa e a região dos Bálcãs, com recorde de 43,8 °C em Palluau, na França.

Especialistas, como Paulo Nossa, da Universidade de Coimbra, defendem a revisão de políticas públicas, planejamentos urbanos e normas trabalhistas diante da intensificação dos fenômenos extremos. Conforme Simon Stiell, secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a continuidade da queima de combustíveis fósseis contribui para agravar eventos como secas, enchentes e incêndios florestais. O verão europeu concentra o turismo na região, e países como Grécia já chegaram a fechar pontos turísticos em ondas anteriores, com trabalhadores e visitantes sob risco crescente.