Da redação
Duas em cada três mulheres que buscaram atendimento médico após episódios de violência doméstica relataram já ter sido agredidas antes, segundo o Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Somente em 2024, 186,1 mil mulheres receberam atendimento em todo o país; entre elas, 100,8 mil disseram ter sofrido agressões anteriores, o que corresponde a 66,2% dos casos com resposta válida.
Segundo especialistas ouvidos pelo estudo, a violência doméstica raramente ocorre de forma isolada, evoluindo de ameaças a agressões e podendo levar ao feminicídio. Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirma que romper esse ciclo é difícil, pois geralmente envolve relações afetivas como parceiros, maridos ou pais das vítimas. Ela destaca que muitas mulheres só procuram ajuda quando a violência já escalou.
O Atlas da Violência aponta que, no último ano, 3.642 mulheres foram mortas — menor número desde 2014 —, com queda nos assassinatos fora do ambiente doméstico, mas estabilidade nas mortes dentro das residências. Samira Bueno avalia que o reconhecimento da violência psicológica ainda é um desafio para o sistema de Justiça, mesmo com a existência de previsão legal desde 2006. Ela afirma que agressões psicológicas e vicárias seguem subnotificadas e que, muitas vezes, a resposta do Estado se foca apenas no endurecimento penal.
Em resposta ao cenário, o governo federal lançou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, para fortalecer a rede de proteção às vítimas. O Ministério das Mulheres anunciou projetos e decretos que criam o Cadastro Nacional de Agressores, ampliam hipóteses de afastamento do agressor e reduzem burocracias para acelerar medidas protetivas, conforme nota oficial divulgada no fim de maio.




