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Brasil e EUA avançam em cooperação contra crime, mas etanol segue fora de pauta


Da redação

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que os Estados Unidos demonstraram abertura para ampliar a cooperação no combate ao crime transnacional durante reuniões técnicas com representantes do Escritório do Representante de Comércio dos EUA. A expectativa do governo brasileiro é realizar ainda uma nova rodada técnica de discussões e um encontro político com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes do encerramento da consulta pública que antecede a decisão sobre tarifas a produtos brasileiros.

Segundo Márcio Elias Rosa, apesar dos avanços em temas estratégicos, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é concentrar as negociações na questão tarifária. O ministro afirmou: “A principal orientação do presidente é que não sairemos da mesa e também não deixaremos que outros temas sejam discutidos”. Ele acrescentou que o prazo para um entendimento é curto, e as negociações buscam focar nos pontos em que há possibilidade de acordo.

Sobre o etanol, Márcio Elias Rosa defendeu que o item permaneça fora das discussões comerciais. De acordo com ele, tratar apenas da tarifa do biocombustível ignora a interdependência entre as cadeias de etanol e açúcar e os impactos para a indústria nacional, especialmente no Nordeste. O ministro lembrou que o açúcar brasileiro enfrenta sobretaxa de quase 100% nos Estados Unidos e não pode ser dissociado da questão do etanol.

Representantes da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, da União Nacional do Etanol de Milho e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil apoiaram a posição do governo e argumentaram que a queda na importação de etanol americano resulta principalmente do aumento da produção nacional. As negociações ocorrem enquanto os Estados Unidos conduzem investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio, que pode resultar em novas restrições a produtos brasileiros.