Início Brasil Mortes por pneumonia entre crianças se concentram nas periferias de São Paulo

Mortes por pneumonia entre crianças se concentram nas periferias de São Paulo


Da redação

Crianças e adolescentes internados por pneumonia estão distribuídos por praticamente toda a cidade de São Paulo, enquanto as mortes se concentram em regiões mais pobres e vulneráveis, segundo pesquisa do Instituto Pensi publicada na Revista Paulista de Pediatria. O estudo analisou 1.486 óbitos e 156.112 internações por pneumonia entre pessoas de até 19 anos, nos 96 distritos da capital, durante uma década. Foram observadas, em média, 4,2 mortes e 446 internações a cada 100 mil habitantes por ano.

Os dados mostram que, embora internações estejam presentes até em bairros de renda mais alta, como Morumbi e Jardim Paulista, as mortes predominam principalmente na zona leste e no extremo norte. William Cabral, coordenador do Núcleo de Geoprocessamento e Ciência de Dados do Instituto Pensi, informou que técnicas de geoprocessamento revelaram que distritos com menor pontuação no índice GeoSES — que considera renda, escolaridade, mobilidade e outros fatores — apresentaram risco relativo de morte por pneumonia cerca de 75% acima do esperado.

Além do perfil socioeconômico, a pesquisa encontrou associação entre maior risco de morte e a presença de mais quilômetros de vias de trânsito rápido. “Como este é um estudo ecológico, não podemos estabelecer uma relação de causa e efeito. As vias e o índice socioeconômico foram os fatores que permaneceram relacionados ao risco de morte”, afirmou Cabral. O trabalho identificou ainda que distritos com melhores indicadores sociais registram mais internações, o que, segundo ele, pode estar ligado a diferenças no uso dos serviços de saúde.

Levantamentos semelhantes realizados no estado de São Paulo apontaram a mesma concentração de mortes por pneumonia, infecção da corrente sanguínea e infecção urinária em áreas mais carentes. Para Gustavo Wandalsen, pediatra do Hospital Sabará, entre os motivos para maior risco de morte em regiões mais pobres estão má nutrição, baixa cobertura vacinal e acesso precário à saúde.