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Primeira-dama da Paraíba revela trauma pessoal e defende lei de apoio a órfãos


Da redação

A primeira-dama da Paraíba, Camila Mariz Ribeiro, relatou publicamente ter perdido a mãe aos dez anos, vítima de feminicídio praticado pelo pai, durante palestra em que compartilhou sua história pela primeira vez em 26 anos. A advogada destacou que a mãe estava em processo de divórcio solicitado pela própria filha por não suportar mais presenciar o sofrimento materno.

O crime foi, segundo Camila, planejado com antecedência pelo pai, que monitorou horários e agiu de maneira premeditada. A advogada afirmou que o pai foi formalmente julgado pelo assassinato, tendo a defesa tentado alegar insanidade mental, argumento rejeitado diante do planejamento detalhado. “Naquele dia, eu enterrei o meu pai e a minha mãe. Minha família se desfez, eu fiquei órfã”, relatou.

Ainda durante a palestra, Camila criticou o silêncio social, que segundo ela, contribuiu para a tragédia: “Foi esse silêncio que impediu que a vida da minha mãe fosse poupada. Porque afinal, só eu sabia o que passava dentro da minha casa, só eu presenciava aquilo que acontecia e que não foi um fato isolado, mas o resultado de uma prática de muitos anos”, afirmou.

O relato foi apresentado no contexto da sanção da lei que amplia o programa estadual “Paraíba que Acolhe”, destinada a oferecer amparo financeiro, psicossocial e educacional a crianças e jovens órfãos de vítimas de feminicídio. Dados mencionados por Camila indicam que 1.492 mulheres foram assassinadas em apenas um ano no país, e um dos principais projetos relacionados, o “Antes que Aconteça”, é de autoria da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), sogra da primeira-dama.