Da redação
O Instituto Federal do Amazonas (Ifam) implementará até agosto um sistema de inteligência artificial voltado a prever incêndios florestais na Amazônia com até 14 dias de antecedência e precisão superior a 90%. A ferramenta utiliza imagens de satélites da Nasa e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), além de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Segundo o pesquisador Diego Sales, idealizador do projeto “IA-FogoBio”, os modelos de inteligência artificial — como redes neurais LSTM, redes convolucionais e Random Forest — cruzam informações sobre focos de calor, vegetação e tipo de solo para identificar áreas de risco e emitir alertas que são encaminhados a órgãos ambientais como Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Sales explica que “a antecipação oferecida pela IA garante tempo suficiente para decidir estrategicamente sobre o envio de brigadistas, equipamentos e rotas para a ação preventiva”.
O sistema, financiado pela Google.org com R$ 1,9 milhão, opera no Polo de Inovação do Ifam, que utiliza painéis fotovoltaicos para gerar energia. De acordo com Juliano Maranhão, professor e pesquisador do Centro de Inteligência Artificial da Universidade de São Paulo, “a sustentabilidade precisa ser um requisito do próprio desenvolvimento tecnológico, não apenas uma medida para compensar seus impactos”. O programa monitora cem por cento dos territórios indígenas do bioma, e ferramenta criada em parceria com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) notifica incêndios nessas áreas com seis horas de antecedência.
Conforme o Inpe, o Brasil lidera em queimadas na América do Sul, e, em 2024, a Amazônia registrou o maior número de incêndios em 17 anos, impactando a saúde pública em Manaus devido à seca severa e à fumaça. Entre junho e agosto de 2024, os incêndios atingiram 2,4 milhões de hectares e emitiram 31,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono. Estudo do Ifam indica que a maior parte dos focos tem origem humana.




