Início Política Nunes Marques propõe selo de acurácia para institutos de pesquisa eleitoral

Nunes Marques propõe selo de acurácia para institutos de pesquisa eleitoral


Da redação

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, apresentou proposta para criar um “selo de acurácia” destinado a institutos de pesquisa eleitoral com maior taxa de acerto, durante reunião com representantes de 19 institutos, em Brasília. Conforme minuta de portaria, o selo seria concedido após o segundo turno, com avaliação restrita a pesquisas divulgadas nos sete dias que antecedem o pleito e às de boca de urna. Institutos condenados por irregularidades graves não poderiam ser premiados.

A proposta gerou reações negativas no setor. Diretores relataram preocupação com o recorte temporal, ressaltando que pesquisas representam o momento eleitoral e não necessariamente indicam tendência de resultado. Lucas Thut Sahd, diretor-executivo da Real Time Big Data, afirmou que “é difícil falarmos em acerto de uma pesquisa, por exemplo, se não considerarmos a relevância do tempo”.

Maurício Moura, fundador do Ideia, criticou a medida, avaliando que pode desestimular a divulgação de pesquisas no fim da campanha. “Pesquisa não é um modelo preditivo, é um retrato do momento. Não me parece uma boa saída. Acho que isso pode desestimular os institutos a registrar pesquisas nos últimos sete dias de campanha”, declarou. Luciana Chong, diretora do Datafolha, reforçou que as pesquisas são estimativas estatísticas e que “não faz sentido reduzi-las a um ranking baseado apenas na proximidade com o resultado final”. Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, manifestou apoio à iniciativa.

Segundo informações dos participantes, a reunião ocorreu após Nunes Marques suspender uma pesquisa da AtlasIntel por suspeita de induzimento do eleitorado, em junho, com análise suspensa por pedido de vista da ministra Estela Aranha. A proposta do selo ainda será discutida entre as partes envolvidas e não houve deliberação sobre as motivações que levaram à suspensão anterior.

A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa criticou duramente a proposta, afirmando que confunde ciência com previsão. Segundo a entidade, a exigência do acerto estimula práticas metodologicamente frágeis e coloca a Justiça Eleitoral como “árbitro da qualidade das pesquisas”, contrariando critérios técnicos como transparência, desenho amostral e boas práticas científicas.