Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve contato semanal com Fernando Haddad (PT) durante o período em que esteve preso, antes do segundo turno da eleição presidencial de 2018, conforme relatos de aliados. Lula orientou a campanha por meio de cartas e comunicados políticos encaminhados a partir da prisão, em Curitiba, tendo confirmado a candidatura de Haddad ao Palácio do Planalto por mensagem lida em frente à sede da Polícia Federal.
Segundo lideranças petistas, Lula permaneceu como figura central da articulação da campanha mesmo detido, utilizando comunicação escrita, que foi autorizada pela Justiça. Durante a prisão, entrevistas foram proibidas, enquanto a correspondência e as visitas sociais tiveram regulamentação própria. A juíza federal Carolina Lebbos, responsável pela execução penal, destacou que o direito ao contato externo estava assegurado nos termos legais.
Nas últimas semanas, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) têm citado as condições da prisão de Lula para criticar as medidas impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que proibiu Bolsonaro, sob prisão domiciliar, de se manifestar e determinou a restrição das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL). Advogados de Flávio defenderam a prerrogativa de assistência jurídica, e a Ordem dos Advogados do Brasil também se manifestou em favor do contato.
Lula permaneceu 580 dias preso por condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que entendeu haver parcialidade do então juiz Sergio Moro e irregularidade na tramitação dos processos. Em 2018, aliados usaram a qualidade de advogados para manter contato com Lula, caso semelhante ao de Wadih Damous (PT-RJ), que obteve autorização judicial, enquanto Gleisi Hoffmann (PT-PR) teve o pedido negado.




