Da redação
O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos alertou que o contrabando de ouro e a exploração da goma arábica vêm financiando os dois lados do conflito sudanês. Tanto as Forças Armadas Sudanesas (SAF) quanto as Forças de Apoio Rápido (RSF) lucram com a venda desses recursos, intensificando os gastos militares.
Segundo o relatório, a venda ilegal de goma arábica e ouro sustenta o que foi qualificado como um conflito “cada vez mais autoalimentado”. Volker Turk, alto-comissário das Nações Unidas para os direitos humanos, pediu esforços internacionais para interromper a chamada economia de guerra. Turk destacou a importância da fiscalização das cadeias de comercialização e das rotas logísticas empregadas.
A goma arábica é uma fonte de renda para cerca de cinco milhões de sudaneses, extraída em regiões gravemente impactadas pelo conflito, onde há registros de violações de direitos humanos. O documento aponta que pessoas envolvidas nesse comércio enfrentam “ameaças, detenções arbitrárias, saques e extorsões” dos grupos armados e seus aliados. O saque sistemático do produto pelas RSF, incluindo 3.700 toneladas entre janeiro e junho de 2024, é citado como forma de compensação aos combatentes.
O relatório informa que, em 2024, 65 toneladas de ouro foram oficialmente declaradas nas áreas sob controle da SAF, das quais apenas 28 toneladas foram exportadas por meios regulares, enquanto aproximadamente 48% da produção foi contrabandeada. Não há dados sobre a extração de ouro em territórios das RSF, embora o relatório destaque a continuidade dessas operações em Darfur e Cordofão.




