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Morre em São Paulo, aos 100 anos, a demógrafa Elza Berquó


Da redação

Faleceu em São Paulo, aos 100 anos, a demógrafa Elza Salvatori Berquó, pioneira na análise de dados demográficos e censitários no Brasil. Matemática por formação, Elza articulou centros de pesquisa importantes e defendeu o acesso a métodos contraceptivos, aborto e direitos reprodutivos, segundo fontes acadêmicas.

Berquó destacou-se na fundação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) após a aposentadoria compulsória da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, conforme registros institucionais. Ela foi considerada fundamental para a compreensão das transformações sociais e da urbanização no país entre as décadas de 1960 e 2000.

Pesquisadores ressaltaram o rigor acadêmico e o compromisso com os direitos humanos. Jacqueline Pitanguy, fundadora da ONG Cepia Cidadania, afirmou que Elza reunia “rigor acadêmico e compromisso político com os direitos humanos, o que é uma coisa rara”. O ex-coordenador do Núcleo de Estudos de População da Unicamp (Nepo-Unicamp), José Marcos Cunha, declarou que “Elza é a história da demografia no Brasil”.

Natural de Guaxupé (MG), Berquó formou-se em Matemática na Universidade Católica de Campinas, fez mestrado em Estatística na USP e especialização em Bioestatística na Columbia University. Fundadora do Nepo-Unicamp e da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, presidiu a Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, segundo o presidente da CNPD, Richarlls Martins.