Da redação
Seis meses separaram dois casos no Setor de Oficinas do Riacho Fundo 1. Em abril de 2025, um assassinato seguido de esquartejamento ocorreu na região. Cerca de 180 dias depois, a polícia encontrou 490 placas de haxixe em um apartamento do segundo andar da mesma rua, utilizado como entreposto por organização criminosa, segundo investigações.
O imóvel era alugado por Evaldo Pires da Costa Junior, atualmente preso no Complexo Penitenciário da Papuda e apontado como integrante da facção Comboio do Cão, conforme a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Evaldo, que tem passagens por homicídio, organização criminosa e porte ilegal de arma, pouco ficava no local e o utilizava apenas para vigiar a droga, explicou a corporação. A Coordenação de Repressão às Drogas (Cord/PCDF) deflagrou a Operação Resina Oculta cerca de cinco meses após a apreensão, acrescentando mais nove pessoas à investigação sobre tráfico no DF e Entorno, com movimentação financeira milionária e uso de empresas de fachada.
Segundo o delegado Luiz Henrique, da Cord, a escolha dos imóveis pela organização criminosa leva em conta critérios logísticos, como o aluguel baixo e rotas de fuga rápidas. “Eles adotam a discrição e tentam manter uma rotina aparentemente normal para despistar os vizinhos”, afirmou o delegado. O “olheiro”, figura central na logística, é responsável pelo recebimento, acondicionamento e entrega dos entorpecentes, permanecendo em média seis meses por endereço. Ceilândia, Samambaia, Riacho Fundo 2 e Recanto das Emas registraram ao menos 12 “casas-bomba” em 12 meses.
Samambaia aparece como local estratégico para o tráfico, segundo dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela alta densidade populacional e oferta de imóveis com aluguel mais barato. De acordo com investigação da Cord, uma quadrilha comandada por Igor Filipe Silva Araújo e Matheus Araújo Nunes, presos em julho de 2025, alugou diversos apartamentos em Samambaia para armazenar drogas vindas de Rondônia.





