Da redação
O pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos deve afetar cerca de três mil itens exportados e movimentar mais de 11 bilhões de dólares em vendas da indústria e do agronegócio brasileiro, segundo o Valor. O impacto dessa medida, há muito esperado, reacende críticas quanto à subordinação do Brasil aos interesses norte-americanos, historicamente presentes nas relações bilaterais.
Conforme especialistas e historiadores, a influência dos Estados Unidos no Brasil consolidou-se a partir do século XX, especialmente durante e após a Segunda Guerra Mundial. Estruturas como a Política Externa Independente, impulsionada por Jânio Quadros e San Tiago Dantas, tentaram ampliar a autonomia brasileira, mas enfrentaram resistência após o golpe militar de 1964, que alinhou o país ao eixo estadunidense. O general e ex-embaixador Juracy Magalhães simbolizou esse alinhamento ao afirmar: “O que é bom para os EUA é bom para o Brasil”.
Diversos pesquisadores identificam que a produção acadêmica sobre imperialismo e relações internacionais ganhou força a partir do estímulo à pesquisa em universidades como UnB, PUC-Rio, USP e UERJ, e pela atuação de brasilianistas como Thomas Skidmore e Alfred Stepan. Abertura de arquivos, intercâmbios, bolsas de estudo e financiamentos de instituições como CNPq, Capes, Ford, Rockefeller e Fulbright ampliaram o acesso a fontes primárias e secundárias.
No campo político, o tema da autonomia nacional tornou-se central diante da intensificação do interesse estrangeiro sobre setores estratégicos, como minerais críticos essenciais à tecnologia, especialmente terras raras e lítio. O cenário internacional atual inclui episódios como as sanções dos EUA à Venezuela, episódios polêmicos durante a Copa do Mundo da Fifa e divergências sobre a aplicação de normas internacionais, conforme destacado por veículos como o Valor e a imprensa estrangeira.





