Da redação
A restinga de Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, é alvo de impasse envolvendo a empresa Maraey Rio de Janeiro S.A. (IDB Brasil), o poder público, moradores locais, comunidades indígenas, pesquisadores e órgãos de controle. A disputa decorre da implantação do empreendimento turístico-residencial Maraey, cujas obras para o viário principal foram iniciadas recentemente, em meio a divergências sobre impactos ambientais, sociais e fundiários.
O projeto prevê investimentos de R$ 11 bilhões e inclui a construção de um complexo de alto padrão, com três hotéis da rede Marriott International, 392 residências de marca, escola de gestão hoteleira, clube esportivo, centro equestre, campo de golfe e um Centro de Referência Ambiental. Segundo a empresa, serão preservados 80% da vegetação local, com previsão de geração de empregos e melhorias na mobilidade. Críticos, no entanto, apontam riscos para fauna, flora, recursos hídricos, sítios arqueológicos e modos de vida tradicionais.
A área engloba parte da Área de Proteção Ambiental de Maricá, onde vivem pescadores da comunidade Zacarias e indígenas das aldeias Mata Verde Bonita e Morada dos Pássaros. Associações e pesquisadores relatam que o território abriga espécies ameaçadas, pesquisas acadêmicas e vestígios arqueológicos de ocupação indígena. O Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal analisam questionamentos sobre o zoneamento da restinga e o licenciamento ambiental do projeto.
Decisão do juiz Fábio Ribeiro Porto negou a suspensão imediata das obras e das licenças ambientais, autorizando apenas infraestrutura e sistema viário e proibindo intervenções na Aldeia Mata Verde Bonita sem autorização prévia da Funai. Segundo a Acclapez, cerca de 150 famílias de pescadores vivem na Zacarias desde o século 18. Na Aldeia Morada dos Pássaros, 67 pessoas dependem de doações para alimentação e água.





