Da redação
Policiais militares identificados como Tárcio Oliveira Nascimento, Thiago Leon Pereira Santos e Lucas dos Anjos Bacelar Dias serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri, acusados de homicídio qualificado pelas mortes de Alexandre Santos dos Reis, Cléverson Guimarães Cruz e Patrick Sousa Sapucaia após operação na comunidade da Gamboa, em Salvador. Segundo decisão do juiz Paulo Sérgio Barbosa de Oliveira, proferida em 6 de julho, há indícios suficientes de autoria para levar os agentes a júri popular. Ainda não há data definida para o julgamento.
De acordo com o Ministério Público da Bahia, os jovens foram mortos durante uma festa em 1º de março de 2022. O órgão aponta que os policiais abordaram, perseguiram e atiraram com uma submetralhadora nos rapazes “sem que houvesse qualquer conflito armado no local no momento dos fatos”. Segundo a Promotoria, as vítimas foram baleadas e duas delas arrastadas para o interior de uma casa abandonada, onde o terceiro foi morto.
Na fase de instrução processual, laudos do Departamento de Polícia Técnica e a reprodução simulada indicaram que dois jovens foram atingidos ainda na escadaria da comunidade, cenário incompatível com a versão apresentada pelos policiais de confronto armado dentro do imóvel. Segundo o juiz, os relatos de testemunhas e familiares apontam perseguição, enquanto a perícia não encontrou resíduos de disparos nas mãos das vítimas.
Os policiais alegaram que houve confronto armado e que as armas encontradas estariam com os jovens, mas perícias identificaram que essas armas estavam com defeito e sem condições seguras de uso. As mortes geraram protestos, com bloqueio da avenida Contorno por moradores. Em 2022, a Bahia registrou 1.464 mortes decorrentes de intervenção policial, maior número absoluto no país, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.





