Da redação
O Senado aprovou, no primeiro semestre de 2026, 16 tratados multilaterais que ampliam o intercâmbio do Brasil com o mundo, quantidade superior à soma dos primeiros semestres de 2024 e 2025. Entre eles, destacam-se acordos do Mercosul com a União Europeia, Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura, que representam, segundo o governo federal, 31,2% do comércio exterior brasileiro esperado para 2025.
De acordo com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), o colegiado acelerou a aprovação do acordo Mercosul-União Europeia, PDL 41/2026, considerado o de maior impacto econômico. O tratado foi assinado em janeiro e, promulgado pelo Executivo, entrou em vigor em 1º de maio. Conforme Trad, “A resposta ao unilateralismo não pode ser o isolamento, tem que ser mais diálogo. Isso fez a CRE reforçar duas frentes: o diálogo direto com outros parlamentos e suporte aos setores nacionais”. Lia Valls Pereira, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, avalia que a entrada de investidores europeus pode ser um dos principais ganhos do acordo, que contém diversas questões regulatórias.
Acordos com a EFTA (PDL 570/2026) permitirão que 99% dos produtos agrícolas e industriais brasileiros ingressem sem tarifas nesses países, como Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Apenas a Islândia já concluiu todos os procedimentos necessários. O tratado com Singapura (PDL 571/2026) prevê isenção tarifária total para produtos do Mercosul, enquanto o bloco sul-americano eliminará progressivamente as tarifas sobre 95,8% dos itens do país asiático em até 15 anos.
Outros tratados referem-se à Organização Marítima Internacional, Organização Mundial do Comércio, Organização Internacional do Açúcar e temas de consumo no Mercosul. Projetos envolvendo defesa, cooperação técnica, transporte aéreo, cultura, ciência e intercâmbio penal também foram aprovados, mas aguardam internalização na legislação brasileira.





