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Notas fiscais ligadas a empresas conectadas ao caso Master colocam Flávio Bolsonaro no centro de novo episódio

Por Alex Blau Blau

Documentos fiscais e contratos voltam a ampliar o debate sobre a relação do presidenciável com empresas citadas em investigações envolvendo Daniel Vorcaro

O presidenciável Flávio Bolsonaro voltou ao centro das discussões sobre o caso envolvendo o Banco Master após a divulgação de documentos que apontam a emissão de três notas fiscais por seu escritório de advocacia em favor de empresas ligadas à estrutura empresarial atribuída ao empresário Daniel Vorcaro. Os documentos somam R$ 1,5 milhão, sendo que duas das notas foram posteriormente canceladas.

De acordo com as informações divulgadas, duas notas fiscais de R$ 500 mil cada foram emitidas em 7 de abril de 2025 para a Copenhagen Consultoria e Assessoria. Ambas tratavam de serviços de consultoria jurídica, mas acabaram sendo canceladas sem que houvesse registro de pagamento.

Dois dias depois, em 9 de abril, o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu uma terceira nota fiscal, também no valor de R$ 500 mil, desta vez destinada à empresa Contábil Correa. Neste caso, não há informação sobre cancelamento do documento.

As duas empresas possuem ligação em comum por meio do contador Rogério Lourenço Novo. Ele aparece como responsável pela Copenhagen e também figura como sócio da Contábil Correa, além de integrar o conselho fiscal de outra empresa relacionada ao grupo empresarial investigado.

A Copenhagen foi aberta no fim de 2024 com capital social de R$ 40 e, posteriormente, passou a receber elevados aportes financeiros, chegando a movimentar R$ 58 milhões provenientes do Banco Master, segundo as informações apresentadas. A empresa está registrada no mesmo endereço da Contábil Correa, em São Caetano do Sul, e não possui sede própria nem página institucional.

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que firmou contrato de prestação de serviços jurídicos com a Contábil Correa, conhecida comercialmente como BR Global, empresa que, segundo ele, atende centenas de clientes. O presidenciável explicou que houve apenas uma consulta para eventual prestação de serviços à Copenhagen, mas que a contratação não foi concluída, motivo pelo qual as duas notas emitidas para essa empresa foram canceladas e nenhum pagamento foi recebido.

Ainda segundo a manifestação, Flávio declarou que desconhecia qualquer vínculo entre as empresas e o Banco Master e negou qualquer participação ou envolvimento com os fatos investigados. O senador também afirmou que não é investigado no caso e sustentou que eventuais divulgações de informações protegidas por sigilo poderão ser questionadas judicialmente.

Já Rogério Lourenço Novo confirmou ser proprietário da Copenhagen e declarou que contratou o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços jurídicos destinados a clientes de sua empresa de contabilidade. Questionado sobre quais clientes receberam esses serviços, informou que precisaria levantar as informações, mas não apresentou novos esclarecimentos posteriormente.

A gestora Trustee DTVM, responsável pela administração do fundo ligado à Copenhagen, informou que não participava das relações comerciais da empresa nem das negociações financeiras envolvendo o Banco Master, afirmando que não tinha ingerência sobre contratos ou pagamentos realizados pela companhia.

O episódio amplia o debate em torno das relações comerciais entre empresas privadas e pessoas ligadas ao caso Master. Até o momento, Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade, enquanto os desdobramentos seguem sendo acompanhados pelas autoridades competentes e pelas partes envolvidas.