Início Política Governo Lula teme interferência estrangeira nas eleições após apoio de Trump e...

Governo Lula teme interferência estrangeira nas eleições após apoio de Trump e Milei a Flávio


Da redação

Integrantes do governo federal e da coordenação da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viram manifestações dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) como tentativas de interferência estrangeira na eleição presidencial brasileira. O receio é de que essas investidas aumentem nos dias que antecedem o pleito e tenham impacto relevante nas redes sociais, especialmente diante da pressão de Trump sobre empresas de tecnologia.

Aliados de Lula defendem que o Tribunal Superior Eleitoral adote medidas preventivas para limitar o uso de inteligência artificial nas campanhas, mas admitem que seria difícil impedir ações coordenadas externas. Em reuniões reservadas, Lula tem ponderado que o contexto atual é distinto de eleições anteriores pela possibilidade de intervenção internacional. A tensão se agravou após Milei participar da convenção do PL e manifestar apoio explícito a Flávio Bolsonaro, ocasião em que atacou tanto Lula quanto o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

As declarações de Milei provocaram uma crise diplomática, levando o governo brasileiro a chamar de volta seu embaixador na Argentina e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a expressar “repulsa” ao embaixador argentino Daniel Raimondi. O PL também exibiu na convenção um vídeo com Jair Bolsonaro em formato de inteligência artificial, considerado por aliados do Planalto como estratégia para testar os limites impostos pela Justiça Eleitoral, já que Bolsonaro está proibido de aparecer em redes sociais.

Segundo aliados de Lula, o governo monitora a aproximação da família Bolsonaro com Donald Trump, que recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca. O jornal The Washington Post revelou que Trump planejava enviar auxiliares ao Brasil para questionar a integridade da eleição, mas o Itamaraty negou vistos a dois funcionários. No ano passado, sanções econômicas impostas pelos EUA ganharam destaque no debate político, alimentando a base bolsonarista, mas acabaram gerando desgaste ao grupo.