Por Alex Blau Blau
Dificuldade para ampliar alianças fortalece possibilidade de composição formada apenas por integrantes do Partido Liberal na disputa pela Presidência
A poucos dias do encerramento do prazo das convenções partidárias, o Partido Liberal ainda não definiu quem ocupará a vaga de candidato a vice na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República. Diante da falta de avanços nas negociações com outras legendas, cresce entre dirigentes da sigla a possibilidade de uma composição formada exclusivamente por filiados do próprio partido.
Inicialmente, a estratégia do PL era utilizar a indicação para a Vice Presidência como instrumento para atrair partidos do chamado Centrão e ampliar a base de apoio da candidatura. No entanto, as conversas não produziram o resultado esperado, mantendo indefinida a composição da chapa.
As negociações continuam concentradas em partidos como Republicanos, Podemos, União Brasil e PP. Apesar disso, dirigentes dessas legendas têm sinalizado a possibilidade de permanecerem neutros na disputa presidencial ou conceder autonomia aos diretórios estaduais para definir seus apoios.
Entre os nomes cogitados para uma eventual aliança está o da ex presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos. Ela participa da elaboração das propostas econômicas da campanha e é vista como uma opção capaz de fortalecer o diálogo com o eleitorado feminino. A definição, porém, depende de um acordo entre as duas legendas.
Caso nenhuma composição seja firmada até o encerramento das convenções, caberá ao próprio Partido Liberal indicar o candidato a vice. Nos bastidores, diferentes nomes passaram a ser debatidos pela direção nacional.
Uma das possibilidades é a deputada federal Priscila Costa. Integrantes do partido avaliam que seu perfil pode contribuir para ampliar a presença da campanha entre mulheres, eleitores religiosos e no Nordeste. A parlamentar, entretanto, afirmou que permanece concentrada em seu projeto de reeleição e informou que não recebeu convite para integrar a chapa presidencial.
Outro nome lembrado é o do senador Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro. Aliados destacam sua experiência política e sua atuação na região Nordeste. Também aparecem nas discussões internas a deputada Júlia Zanatta, as deputadas Greyce Elias e Bia Kicis, além do senador Marcos Pontes, que manifestou disposição para disputar a Vice Presidência.
A preferência por uma mulher na composição da chapa ganhou ainda mais relevância após levantamentos internos apontarem dificuldades da campanha junto ao eleitorado feminino. A recente reconciliação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro também reforçou a expectativa de que a ex primeira dama participe mais ativamente da campanha nos próximos meses.
O Partido Liberal tem até o dia 5 de agosto para concluir a formação da chapa presidencial. Após esse prazo, as candidaturas deverão ser registradas na Justiça Eleitoral, enquanto a propaganda eleitoral terá início em 16 de agosto. Até lá, a direção nacional mantém abertas as negociações na tentativa de ampliar a coligação, sem descartar uma chapa formada exclusivamente por integrantes da própria legenda.



