Da redação
Forças de Israel e funcionários municipais entraram à força no Centro de Formação de Kalandia, administrado pela Agência da ONU para Assistência aos Refugiados da Palestina (Unrwa), em Jerusalém Oriental. A Unrwa informou que docentes e estudantes estavam em aula durante a incursão, foram depois concentrados e confinados no local, sem que as autoridades israelenses apresentassem documentação justificando a entrada. Funcionários municipais ainda fotografaram as instalações.
Segundo a Unrwa, o episódio representa violação das obrigações de Israel referentes aos privilégios e imunidades das Nações Unidas. A agência destaca que a ação faz parte de um contexto mais amplo de tentativas para obstruir as operações da Unrwa e de organizações não governamentais em territórios palestinos. O Centro de Formação de Kalandia seria, de acordo com o órgão, alvo de ameaças recentes de apreensão ilegal por parte de autoridades israelenses.
O Centro de Formação de Kalandia é considerado, conforme a Unrwa, seu mais antigo núcleo de capacitação profissional, ofertando formação gratuita e mobilidade econômica a centenas de estudantes anualmente. A agência alertou que a apreensão das instalações representaria “uma violação do direito internacional” e traria “perda irreparável das oportunidades de formação profissional” sob seu mandato.
Após o ocorrido, a Unrwa pediu às autoridades israelenses respeito às obrigações internacionais e a cessação de novas intervenções em suas instalações e operações. Em outubro de 2025, a Corte Internacional de Justiça confirmou o dever de Israel de facilitar as atividades da Unrwa nos territórios palestinos, incluindo Jerusalém Oriental, e de se abster de interferências que prejudiquem os bens e propriedades das Nações Unidas e de suas agências.





