Da redação
O governo da Venezuela e a oposição voltaram a negociar sob intermediação dos Estados Unidos, enquanto o país ainda enfrenta as consequências de um terremoto que matou milhares de pessoas em junho. Participam da mesa Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, e Dinorah Figuera, presidente da Assembleia Nacional de 2015, reconhecida por Washington. A principal ausência é a de María Corina Machado, líder opositora e Prêmio Nobel da Paz.
Segundo analistas, a exclusão de María Corina Machado do diálogo tem gerado críticas de opositores, que a veem como central para um acordo nacional. Henrique Capriles afirmou que uma negociação sem ela “está fadada ao fracasso”. Dinorah Figuera declarou que a participação de María Corina é “muito importante neste processo”. A engenheira, por sua vez, declarou que não será obstáculo “a nenhuma iniciativa que produza avanços reais” e defendeu ações concretas de recuperação das instituições democráticas e liberação de presos políticos.
María Corina Machado está fora do país desde dezembro de 2025, quando participou da cerimônia do Nobel em Oslo. Impedida de concorrer nas eleições presidenciais de 2024, apoiou o diplomata Edmundo González, que, segundo atas eleitorais verificadas internacionalmente, pode ter vencido o pleito. Para a cientista política Colette Capriles, o atual processo, mais do que negociação política, será uma “distribuição de tarefas” para garantir uma eleição sob supervisão internacional.
O terremoto de junho tornou-se elemento central no cenário político venezuelano. Jorge Rodríguez usou o desastre como argumento para adiar e, dias depois, justificar a retomada das negociações, salientando o apoio internacional à reconstrução. Colette Capriles comparou o impacto do evento ao ocorrido na Nicarágua em 1972, indicando que tragédias podem acelerar mudanças políticas e abrir espaço à cooperação internacional através de organismos multilaterais.




