Da redação
A China e os Estados Unidos lideram iniciativas distintas para influenciar a cadeia produtiva de inteligência artificial, buscando moldar o futuro da tecnologia considerada essencial para o desenvolvimento econômico e social. Os Estados Unidos estruturam uma parceria com “parceiros confiáveis” para controlar cadeias de suprimento de semicondutores, minerais críticos e energia, enquanto a China propõe envolver todas as nações na governança da inteligência artificial por meio de sistemas abertos de código, permitindo a participação global de empresas e organizações.
O governo brasileiro afirma que o país não pode se tornar dependente de qualquer modelo estrangeiro, defendendo diálogo com todas as iniciativas para garantir soberania digital. A chamada Pax Silica, lançada pelo governo de Donald Trump, iniciou-se com países como Japão, Israel, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Singapura, Países Baixos e Austrália, reunindo nações alinhadas à Casa Branca para criar uma “ordem econômica duradoura” sustentada pela inteligência artificial.
Atualmente, a iniciativa norte-americana conta com 23 países e a União Europeia. Em junho deste ano, Argentina, El Salvador, Chile, Costa Rica e Panamá, além de Índia, Catar e Filipinas, foram incorporados à parceria. A Pax Silica tem como metas garantir “segurança” no acesso a insumos essenciais de tecnologia, enfrentar vulnerabilidades da cadeia produtiva e promover investimentos conjuntos entre seus membros.
O especialista Ettore Arpini, fundador da organização Plures, avalia que a iniciativa dos Estados Unidos privilegia apenas aliados, excluindo outros países do acesso à tecnologia. De acordo com Arpini, há risco para economias dependentes de modelos estrangeiros de inteligência artificial, que ficam vulneráveis a decisões unilaterais de grandes potências e empresas globais.




