Início Ciência e tecnologia Cientistas desenvolvem sistemas de reciclagem e cultivo para alimentação de astronautas no...

Cientistas desenvolvem sistemas de reciclagem e cultivo para alimentação de astronautas no espaço

- Publicidade -


Da redação

Equipes do Centro Aeroespacial de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Aplicações (ASTRA), da Universidade do Sul da Flórida, desenvolvem sistemas para produção de alimentos em bases humanas na Lua ou em Marte. Conforme a pesquisadora Stephanie Carey, os estudos visam criar ciclos fechados de recursos, permitindo recuperar água e nutrientes a partir de resíduos descartados e reutilizá-los para o cultivo, devido à inviabilidade econômica e logística de depender de suprimentos enviados da Terra.

Uma das principais abordagens do laboratório de biotecnologia coordenado pelo professor Daniel Yeh envolve o aproveitamento de resíduos humanos. Utilizando microrganismos anaeróbicos, os cientistas transformam resíduos orgânicos em soluções nutritivas, capazes de nutrir cultivos sem necessidade de solo convencional. Já foram cultivados vegetais como bok choy com nutrientes extraídos por esse método, em pesquisas realizadas em laboratórios terrestres que simulam as condições de ambientes extraterrestres.

A professora Christina Richards comanda outra linha de estudo voltada para plantas naturalmente resistentes a ambientes extremos, como manguezais e gramíneas costeiras. Os pesquisadores analisam características genéticas relacionadas à tolerância ao estresse, visando identificar atributos úteis em plantações espaciais. Experimentos em satélites CubeSats permitiram avaliar o impacto de fatores como temperatura, umidade e iluminação sobre essas espécies.

Fungos despontaram como potenciais aliados nos cultivos espaciais devido à rápida adaptação e à resistência a ambientes hostis, incluindo propriedades ligadas à tolerância à radiação. Segundo os cientistas, parte dessas tecnologias já é utilizada em sistemas sanitários na Índia, África do Sul e Havaí, além de projetos em cooperação com o Centro Espacial Kennedy, da Nasa, para adaptar biorreatores aos desafios de bases extraterrestres.