Da redação
Facções criminosas ampliaram a atuação no entorno de Foz do Iguaçu, no Paraná, devido aos elevados lucros do contrabando de produtos do Paraguai para o Brasil, com margem superior a 500%, segundo estudo do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras. A região é apontada como principal porta de entrada de mercadorias ilegais no país.
O levantamento indica que a atividade, hoje dominada por grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano à margem da economia formal. Os principais produtos contrabandeados são cigarros paraguaios, medicamentos e smartphones, com lucros de 507%, 415% e 390%, respectivamente, conforme os dados.
De acordo com órgãos de fiscalização, além de abastecer organizações criminosas, o contrabando provoca concorrência desleal com empresas regulares e reduz a arrecadação pública. Um relatório do Foundation for the Defense of Democracies aponta que facções e até grupos terroristas como o Hezbollah se financiam por meio da prática. Entre janeiro e abril, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 6,3 milhões de maços de cigarros no Paraná, o equivalente a 46,3% do total nacional.
Os produtos contrabandeados incluem ainda perfumes, defensivos agrícolas, brinquedos, pilhas, vestuário, bebidas alcoólicas, pneus e cigarros eletrônicos, estes com valor de apreensões de R$ 440 milhões entre 2020 e o ano passado. As mercadorias retidas podem ser doadas, leiloadas ou destruídas pela Receita Federal, a depender de sua natureza e conformidade regulatória.





