Da redação
Mais de 50 mil imigrantes cruzaram para Ceuta, cidade espanhola em território africano, resultando em cerca de 100 mortos, conforme especialistas em relações internacionais ouvidos. As opiniões divergem sobre o papel do governo de Marrocos, acusado por alguns de anuência e por outros de ausência de envolvimento direto na crise.
Nuno Carlos de Fragoso Vidal, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou que a imigração em massa não ocorreria sem anuência das autoridades marroquinas, relacionando o episódio à disputa pelo Saara Ocidental e ao apoio espanhol à Frente Polisário. O analista José Luís Del Roio também afirmou que Marrocos controla rigorosamente seu território, sugerindo conivência do governo marroquino e levantando suspeitas sobre envolvimento externo, citando Israel.
Por outro lado, Mohammed Nadir, professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC, declarou não haver indícios de envolvimento de Marrocos, atribuindo o fluxo à falta de perspectivas da juventude marroquina. Segundo Nadir, fatores como aumento do custo de vida e desemprego motivam a busca por melhores condições na Europa. A inteligência espanhola concluiu, conforme o jornal El País, que Marrocos não planejou a crise, mas agiu com oportunismo político ao permitir a movimentação.
Em pronunciamento, o governo de Marrocos atribuiu a crise à propagação de notícias falsas nas redes sociais, apontando fatores interligados e a instrumentalização tendenciosa de informações. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, elogiou a colaboração marroquina para retorno de imigrantes, enquanto autoridades locais de Ceuta destacaram desconfiança nas intenções de Rabat. Em outros episódios, como em 2021, a Espanha já havia acusado Marrocos de enfraquecer os controles fronteiriços, e a disputa por Ceuta e Melilla permanece como ponto de tensão histórica entre os dois países.





