Da redação
Pesquisadores apontam que comunidades de bactérias deixadas por pessoas, objetos e ambientes podem se tornar uma nova categoria de evidência na investigação criminal. Conforme estudos reunidos pela revista New Scientist, a chamada microbiologia forense permite traçar perfis bacterianos para identificar suspeitos, estimar tempo de morte e mapear movimentações em cenas de crimes.
De acordo com os cientistas, o corpo humano possui cerca de 38 trilhões de bactérias que formam uma “assinatura” individual. Essa combinação microbiológica varia conforme idade, alimentação, ambiente e higiene. Com o uso de técnicas modernas de sequenciamento, como o Next Generation Sequencing, especialistas conseguem analisar milhares de espécies bacterianas em uma única amostra, mesmo quando o DNA tradicional está ausente ou degradado. Os perfis encontrados podem ser cruzados com bancos de dados próprios da área.
Outra aplicação em destaque é o chamado “relógio microbiano”, conceito baseado nas mudanças que ocorrem no microbioma humano após a morte. Conforme revisões publicadas no Journal of Applied Microbiology, esse fenômeno, também chamado de thanatomicrobioma, pode ajudar médicos-legistas a calcular o intervalo pós-morte. Pesquisas ainda mostram que amostras de solo coletadas em calçados ou ferramentas servem como “endereço biológico”, auxiliando na localização de cenas de crimes.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça financia projetos para avaliar o uso do microbioma como prova forense, inclusive com apoio de inteligência artificial e aprendizado de máquina para analisar grandes volumes de dados. Apesar dos avanços, especialistas ressaltam que a área ainda enfrenta desafios, como a falta de protocolos padronizados, a necessidade de bases de dados robustas e fatores ambientais que podem interferir nas análises. O microbioma é tratado atualmente como evidência complementar, não como substituto do DNA ou das impressões digitais.





