Da redação
Acesso a serviços essenciais de saúde para mulheres e crianças está comprometido no Sudão devido ao conflito armado, deslocamentos forçados e cheias frequentes, segundo o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa). Muitas unidades de saúde permanecem inativas, deixando gestantes, especialmente as deslocadas, sem atendimento materno adequado.
Combates intensos provocaram a migração de dezenas de milhares de pessoas no Estado do Nilo Azul, com maioria feminina e infantil buscando abrigo em campos superlotados. De acordo com Sa’aida, parteira humanitária em uma clínica móvel apoiada pela Unfpa na capital Ad-Damazin, algumas grávidas iniciam trabalho de parto nos acostamentos, colocando em risco a própria segurança e a dos recém-nascidos. Sa’aida afirma que, apesar de a maioria dos nascimentos ocorrer nesses campos, casos graves são encaminhados ao hospital para acompanhamento seguro.
O Unfpa destaca que o conflito destruiu parte da infraestrutura de saúde do país e agravou a falta de recursos, medicamentos e a violência contra profissionais do setor. Segundo a agência, parteiras como Sa’aida oferecem quase todos os serviços essenciais de saúde sexual e reprodutiva nas comunidades mais vulneráveis, atuando em planejamento familiar, emergências obstétricas, apoio a vítimas de violência de gênero, vigilância de doenças e educação em saúde.
Conforme dados do Unfpa, nas três primeiras semanas do deslocamento das equipes móveis, parteiras acompanharam 140 partos seguros e atenderam mais de 700 gestantes no Estado do Nilo Azul. A agência da ONU também informou que está formando 30 obstetras no Estado de Cordofão do Norte, diante do aumento das necessidades em saúde materna e reprodutiva nas áreas afetadas pela crise.





