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Parentes seguem em luto dois anos após queda de avião da Voepass em Vinhedo


Da redação

A jornalista Adriana Ibba levou sua filha Liz ao aeroporto de Cascavel (PR) para embarcar com o pai, Rafael Fernando dos Santos, com destino a Guarulhos (SP). Cerca de uma hora e meia após a decolagem no avião da Voepass prefixo PS-VPB, a aeronave caiu em Vinhedo, interior de São Paulo, causando a morte de 62 pessoas a bordo, incluindo Liz, que tinha três anos e era a vítima mais jovem, conforme informações da Polícia Federal.

A Polícia Federal apontou que a queda decorreu de uma sucessão de falhas operacionais e de manutenção. O relatório do inquérito e o laudo divulgados indicam que o ATR 72-500 foi designado para uma rota com previsão de formação de gelo, embora o modelo não seja certificado para tais condições e apresentasse falhas conhecidas no sistema de degelo, o que deveria impedir a decolagem. Segundo os peritos, existia uma cultura de omissão de registros de panes e priorização da disponibilidade da frota, em detrimento da segurança operacional.

A Voepass afirmou, em nota, que “a segurança operacional sempre foi sua prioridade” e que “adotou rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações”. Destacou ainda que os profissionais do voo 2283 somavam mais de 5.000 horas de voo e reforçou a disposição para prestar esclarecimentos às autoridades.

A tragédia impactou profundamente as famílias das vítimas. Fátima Albuquerque, presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do voo 2283, relatou que mais de 40 mães perderam filhos no acidente. Outros familiares, como Eduarda Castelo Hübner e Bianca Michel Faller, enfrentam desde então a reorganização das rotinas e o suporte mútuo para lidar com as consequências emocionais da perda.