Da redação
Relatores especiais de direitos humanos alertam para o aumento de execuções e condenações à morte no Irã, segundo denúncias encaminhadas ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Entre os casos citados está o de Shervin Bagherian Jebeli, preso poucos dias após completar 18 anos, que teria sido detido por 21 dias e submetido a tortura para obter confissão veiculada pela TV estatal antes do julgamento.
De acordo com as informações recebidas pelas Nações Unidas e pela Anistia Internacional, as autoridades iranianas estariam recorrendo à pena de morte para punir manifestantes, suprimir dissidência política e intimidar a população. Erfan Amiri, Mansour Jafari e Matin Mohammadi, todos menores de idade, permanecem sob custódia, sob risco de execução. Na província de Isfahan, mais de 70 manifestantes presos em protestos recentes teriam sido sentenciados à morte.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, ressaltou preocupação com o crescimento das execuções e o aumento de prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados e denúncias de tortura a minorias desde o início dos protestos. Segundo especialistas, 24 pessoas da etnia balúchi e 22 curdas teriam sido executadas sob acusações de “inimizade contra Deus” e “corrupção na Terra”, muitas vezes em razão de divergências religiosas com o Estado.
Os especialistas independentes ligados à ONU afirmam que a resposta considerada insuficiente da comunidade internacional estimula a continuidade das execuções. Heba Morayef, diretora regional da Anistia Internacional para o Oriente Médio e Norte da África, defende pressão de Estados-Membros da ONU sobre o Irã para adoção de medidas imediatas. Relatores especiais de direitos humanos atuam de forma independente, sem vínculo empregatício com a ONU.





