Da redação
O Itamaraty decidiu não reagir ao vídeo divulgado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, que interpreta a Doutrina Monroe e afirma que “o domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”. O material, publicado na terça-feira (11), cita ações na região como a prisão de Nicolás Maduro em Caracas, em 3 de janeiro, conforme informações do governo brasileiro.
Segundo integrantes do Executivo, a escolha por não responder busca evitar que a “provocação” tenha impacto no debate eleitoral brasileiro. Um diplomata ligado ao tema afirmou ao PlatôBR: “Não há nem o que argumentar. A diplomacia brasileira não será pautada pelos norte-americanos.” Ainda de acordo com ele, o governo brasileiro fará “reações pontuais, serenas e proporcionais”, sempre em coordenação entre o Palácio do Planalto e o Itamaraty.
O Departamento de Estado americano, comandado por Marco Rubio, aliado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é responsável pela divulgação do vídeo. A cautela nas relações com Washington também foi observada diante do cancelamento do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, que continua exercendo suas funções nos Estados Unidos, mesmo após a decisão do governo de Donald Trump.
A estratégia difere da adotada diante de ataques do presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a convenção do Partido Liberal, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Como resposta às declarações, o Itamaraty chamou de volta o embaixador brasileiro em Buenos Aires e a embaixada passará a ser chefiada por um encarregado de negócios, cargo inferior na hierarquia diplomática.





