Início Brasil Violência contra indígenas cresce 22% no Brasil em 2025, indica relatório

Violência contra indígenas cresce 22% no Brasil em 2025, indica relatório


Da redação

O relatório do Conselho Indigenista Missionário registra aumento da violência contra indígenas, com 258 assassinatos em 2025, frente a 211 em 2024, o que representa alta de 22%. O levantamento reúne dados coletados em secretarias estaduais de saúde e na Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena, via Lei de Acesso à Informação. Entre os estados com maiores populações indígenas estão Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Roraima.

O relatório detalha diferentes formas de violência, como os dez indígenas vítimas de homicídio culposo, 33 casos de lesão corporal, 38 tentativas de assassinato, 19 de abuso de poder, 18 ameaças de morte e 46 de racismo e discriminação étnico-cultural. As mortes violentas se concentram entre os guarani-kaiowá, principalmente em terras sem demarcação, como Iguatemipeguá I (MS), palco de um ataque de pistoleiros que resultou no assassinato de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá e Guarani. A pesquisa aponta ainda 215 suicídios de indígenas em 2025, liderança nos casos entre jovens de 20 a 29 anos e até 19 anos.

A violência sexual contra indígenas também cresceu, com 25 casos em 2025 ante 20 em 2024, afetando principalmente meninas e envolvendo professores, familiares e desconhecidos, conforme o relatório. A mortalidade infantil somou 1.024 óbitos de crianças indígenas até quatro anos em 2025, aumento de 11% em relação ao ano anterior, com destaque para mortes evitáveis causadas por gripe, pneumonia, doenças intestinais e desnutrição.

O documento associa o avanço de conflitos e violências ao marco temporal, tese jurídica aprovada pelo Congresso e considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que impõe limites à demarcação de terras indígenas. Os autores relatam agravamento das violações após a sanção da lei, totalizando 1.276 casos relacionados à omissão na regularização de terras, conflitos territoriais e invasões ou exploração indevida de recursos na última apuração.