Início Mundo Expulsos dos EUA relatam violência policial e intimidação na Guiné Equatorial

Expulsos dos EUA relatam violência policial e intimidação na Guiné Equatorial


Da redação

Ahmed Soliman, egípcio de 30 anos, relatou que policiais encapuzados armados invadiram o quarto de hotel onde estava hospedado em Malabo, na Guiné Equatorial, e o arrastaram para fora junto com cerca de 20 outros deportados. Os agentes advertiram os expulsos: “Voltem para o seu país”.

De acordo com Soliman, os policiais o puxaram pelo pescoço e o agrediram com cotoveladas. Outros deportados, entrevistados sob anonimato ou por pseudônimo, relataram à AFP sofrer ameaças diárias e pressões verbais e físicas para retornarem a seus países de origem. Uma advogada local confirmou a existência das pressões.

A Guiné Equatorial se tornou ponto de trânsito na política migratória do governo do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, que envia pessoas impossibilitadas de serem devolvidas legalmente a seus países de origem para “terceiros países”. Desde novembro, pelo menos 50 pessoas, em sua maioria africanas, foram expulsas pelos Estados Unidos para Malabo, sendo que 27 permanecem confinadas em um hotel.

Os deportados, que não podem solicitar asilo localmente e alegam não possuir mais passaportes, afirmam temer perseguição caso retornem. Em junho, foi registrada uma denúncia à Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos para tentar barrar as expulsões, mas ao menos dez pessoas chegaram à capital da Guiné Equatorial em 30 de julho. Procurados, o Departamento de Estado americano e o Ministério da Segurança Nacional local não responderam aos pedidos de comentário.