Da redação
A Safernet Brasil, organização não governamental dedicada à defesa dos direitos humanos na internet, apresentou uma representação à Agência Nacional de Proteção de Dados exigindo responsabilização do Telegram por suposta omissão sistemática e facilitação de crimes graves em sua plataforma, conforme levantamento realizado entre 2017 e 2026. O estudo identificou 14.969 endereços únicos ligados a conteúdos criminosos, dos quais mil novecentos e cinquenta e oito permaneciam ativos e públicos no período verificado.
Segundo a Safernet, os casos envolvem principalmente indícios de violência sexual contra crianças e adolescentes, com mil noventa e três endereços ativos relacionados ao crime, além de 22 conexões a incitação de automutilação e suicídio. A análise também documentou o uso de robôs de nudificação baseados em inteligência artificial, que promovem deepfakes de crianças e adultos, utilizando recursos de gamificação para atrair jovens. “O Telegram não é apenas uma plataforma onde o abuso acontece, mas uma infraestrutura que […] estrutura e viabiliza a produção, a distribuição e a comercialização de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em escala industrial”, afirmou Thiago Tavares, presidente da ONG.
O monitoramento revelou ainda a existência de uma rede em expansão, com o surgimento de 468 novos canais vinculados aos endereços já conhecidos. Outras atividades identificadas incluem zoofilia, tráfico de drogas, comércio de armas, fraudes financeiras e golpes. O relatório aponta crescimento expressivo desses indicadores a partir de 2022, atingindo pico de 587 denúncias em julho de 2026.
A ONG destacou o uso de ferramentas financeiras internas, como o Telegram Stars e pagamentos em criptomoedas, que permitem a venda de conteúdos ilícitos e dificultam a identificação dos responsáveis, uma vez que não há exigência de verificação de identidade. A pesquisa utilizou apenas dados públicos de pré-visualização da plataforma, sem acesso a mensagens ou conteúdos privados.





