Da redação
O Distrito Federal registrou mais de dez episódios de violência envolvendo pessoas em situação de rua na primeira quinzena deste mês, com ocorrências concentradas no Plano Piloto e em áreas como Ceilândia. Em uma dessas ocorrências, Bruno Batista de Jesus, 30 anos, armado com facão e faca, entrou em um edifício na Super Quadra Sul (SQS) 302, feriu um morador e manteve uma idosa de 95 anos como refém, sendo posteriormente baleado e morto pela Polícia Militar.
Outros registros recentes incluem o ferimento de uma mulher com um pedaço de vidro no Setor Comercial Sul por um homem com 11 passagens policiais, a agressão do zelador Wanderlei Souza Lima, 53 anos, na CLN 314, que permanece internado em estado grave no Hospital de Base, e o assassinato a facadas de uma mulher em situação de rua na QNM 3, em Ceilândia. Em Águas Claras, houve confronto com faca e pedras entre três pessoas em situação de rua, além de, na SQS 302, Celso Delfino Pinheiro, 41 anos, ter agredido uma criança de cinco anos.
Segundo a assistente social e especialista em política social Erci Ribeiro, os episódios de agressividade entre pessoas em situação de rua refletem quadros de instabilidade psicológica ou uso severo de substâncias, e não um perfil generalizado desse grupo. Ribeiro afirma que é preciso evitar generalizações, pois “essas impulsividades dessas pessoas que agrediram transeuntes na via pública exigem identificar quem são esses sujeitos para justamente não cair na padronização”. Para Izis Morais, doutora em antropologia social, a Política Distrital para População em Situação de Rua representa apenas “uma carta de intenções”, sem real interesse de implementação efetiva.
Conforme a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, a atuação das forças de segurança é orientada por relatórios de inteligência e análises de manchas criminais, com operações e policiamento direcionados conforme horários e locais de maior incidência. A pasta destaca o uso de tecnologia integrada para monitoramento das regiões e relata ações de atendimento humanizado, além da ampliação do acesso a serviços públicos em áreas de maior concentração desse público.
Dados do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal, de janeiro de 2025, apontam 3.521 pessoas vivendo nas ruas da capital. As secretarias de Desenvolvimento Social e de Justiça e Cidadania não responderam aos questionamentos sobre o tema.





