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PF analisa mensagens atribuídas a Lulinha em investigação sobre suspeita de tráfico de influência

Por Alex Blau Blau

Diálogos atribuídos ao filho do presidente Lula e à lobista Roberta Luchsinger mencionam reuniões e tratativas de negócios; defesa nega irregularidades e questiona divulgação parcial do material

A Polícia Federal passou a analisar mensagens atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e à lobista Roberta Luchsinger. O material integra uma investigação que apura suspeitas de tráfico de influência e possíveis tentativas de facilitar negócios a partir de contatos com integrantes do governo federal.

Os diálogos indicariam que Lulinha tinha conhecimento das atividades e dos interesses comerciais de Roberta e teria participado de conversas sobre reuniões com pessoas próximas ao núcleo do governo. A investigação busca esclarecer o contexto dessas tratativas e se houve alguma irregularidade.

Em uma conversa datada de 22 de março de 2024, são mencionados Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e então integrante do gabinete presidencial, e Swedenberger Barbosa, que ocupava a Secretaria Executiva do Ministério da Saúde.

A apuração também alcança as relações mantidas por Roberta com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ela teria recebido aproximadamente R$ 1,5 milhão em repasses do empresário. Em uma das movimentações, uma referência ao “filho do rapaz” despertou a atenção dos investigadores, que apuram a quem o termo estaria relacionado.

Conversas mencionam outros negócios

Outros diálogos tratam de Fernando Bittar, ex sócio de Lulinha. Em uma das conversas, Roberta afirma que Bittar estaria utilizando o nome do filho do presidente em uma tentativa de negociação envolvendo a Telebras.

As mensagens agora deverão ser analisadas em conjunto com outros elementos reunidos durante a investigação. A existência dos diálogos, isoladamente, não comprova eventual prática criminosa.

Defesa contesta suspeitas

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que ele vive atualmente na Espanha e desenvolve atividades privadas sem relação direta ou indireta com o governo brasileiro.

Segundo a defesa, as quebras dos sigilos bancário e fiscal não apresentaram provas de práticas ilegais. Os advogados também questionaram a divulgação de trechos do material investigativo e afirmaram que solicitarão apuração sobre possíveis vazamentos de informações protegidas por sigilo.

A defesa declarou ainda que pretende se manifestar de maneira mais ampla depois de obter acesso integral aos dados reunidos no processo.

Roberta Luchsinger também é investigada por suspeitas relacionadas à aproximação com integrantes do governo. A Polícia Federal apura, entre outros pontos, a compra de joias e pagamentos que teriam beneficiado Marco Aurélio Santana Ribeiro.

Representantes da defesa de Marcola sustentam que as joias, avaliadas em R$ 9,2 mil, integraram um empréstimo de R$ 249 mil feito por Roberta e posteriormente quitado com juros e correção.

As investigações permanecem em andamento e caberá às autoridades determinar se as relações e movimentações identificadas configuraram alguma prática ilegal.