Da redação
O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começou em meio a questionamentos sobre seu real impacto, diante do crescimento das campanhas nas redes sociais e do uso de inteligência artificial, segundo especialistas. O Tribunal Superior Eleitoral programou a veiculação para ter início nesta sexta-feira (28) e seguir por 35 dias, até 1º de outubro.
De acordo com Jairo Nicolau, cientista político do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas, “a ideia de que as redes sociais passaram a ter a hegemonia da comunicação entre candidato e eleitor e que a televisão e o rádio se tornaram meios residuais não é uma verdade”. Nicolau ressalta a assimetria no acesso às redes, maior entre jovens, pessoas escolarizadas e com mais renda, especialmente nos centros urbanos.
Para Márcio Coimbra, cientista político, esse quadro mantém relevância dos meios tradicionais para eleitores que ainda não decidiram seus votos, principalmente entre a faixa considerada “nem-nem” — aqueles que não se alinham nem com Lula nem com Bolsonaro. Conforme Coimbra, para esses eleitores, “a transmissão aberta atua como fonte primária de informação”, ajudando a consolidar a escolha presidencial.
A distribuição do tempo na propaganda segue regras do Tribunal Superior Eleitoral: 10% dividido igualmente entre partidos que cumprem a cláusula de desempenho, 90% conforme a bancada na Câmara. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com cinco minutos e trinta e um segundos, seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com quatro minutos e vinte segundos. Ronaldo Caiado (PSD) terá dois minutos e dois segundos, Augusto Cury (Avante), trinta e cinco segundos. Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e outros candidatos ficaram sem tempo por não atenderem à cláusula de desempenho.



