Da redação
Quase uma em cada 13 crianças do Haiti, entre seis meses e cinco anos de idade, apresenta desnutrição aguda, conforme dados divulgados em agosto na Pesquisa Nacional de Nutrição Smart de 2026. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a prevalência da desnutrição aguda nesta faixa etária aumentou de 5,1% em 2023 para 7,4% em 2026.
De acordo com o vice-representante do Unicef no Haiti, a crise ocorre em um cenário de insegurança, dificuldades econômicas e necessidades humanitárias prolongadas, fatores que limitam o acesso das famílias a alimentos adequados, serviços de saúde e atendimento nutricional. O Unicef afirma que prevenção e tratamento demandam “dedicação urgente das partes interessadas e dos atores envolvidos, garantindo o acesso das crianças aos serviços vitais de que necessitam”.
Entre 2023 e 2025, a pesquisa registrou triplicação das graves violações contra crianças, incluindo a negação de acesso ao apoio humanitário e ataques a escolas e hospitais onde são prestados serviços de nutrição. Apesar do agravamento da desnutrição aguda, outros indicadores apontam avanços: a desnutrição crônica caiu de 22,8% para 17,3% e o início precoce da amamentação subiu de 48% para 68%, enquanto o aleitamento materno exclusivo aumentou de 17,5% para 33%.
O Unicef destaca que a desnutrição aguda pode se tornar fatal em pouco tempo sem tratamento adequado, principalmente quando associada a doenças e ao acesso restrito a cuidados médicos. A organização lançou um apelo urgente para cobrir uma lacuna de financiamento superior a 64% nas ações de apoio nutricional, buscando ampliar o atendimento a crianças e mulheres vulneráveis.



