Da redação
Entregadores de aplicativos promoveram uma paralisação nacional organizada por meio de redes sociais e grupos de mensagens em diversas cidades brasileiras. Batizada de “Breque Geral dos Apps”, a mobilização reuniu em São Paulo cerca de 100 motoboys na Praça Charles Miller, no Pacaembu, que protestaram pelas ruas pedindo aumento das taxas por corrida e mais transparência nos critérios de bloqueio de contas.
Durante o protesto, os trabalhadores foram orientados a ficar offline nos aplicativos, além de realizarem buzinaços e carreatas para pressionar as plataformas e o governo federal. Entre as reivindicações, destacam-se a criação de valor mínimo de R$ 10 para entregas de até 4 km, pagamento de R$ 2,50 por quilômetro rodado e revisão da modalidade “+Entregas”, que define áreas e horários de trabalho.
Os entregadores também exigem uma medida provisória estipulando taxas mínimas para o setor e criticam o Projeto de Lei Complementar 152, que não contempla demandas centrais como renda e proteção previdenciária. Eles reivindicam ainda maior transparência nos algoritmos de bloqueio de contas e o direito de contestar decisões, argumentando que os valores atuais não cobrem custos com combustível e manutenção.
Plataformas como 99Food e Keeta ofereceram incentivos financeiros durante a paralisação para manter os entregadores nas ruas, com extras de até R$ 9 por entrega em bairros como Perdizes e cupons de desconto para usuários. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, tais práticas são consideradas antissindicais, e o Tribunal Superior do Trabalho já analisou casos semelhantes interpretando a concessão de benefícios para não grevistas como conduta discriminatória.




